quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Moda segundo Gilles Lipovetsky

A SUBJETIVIDADE NA VISÃO DE GILLES LIPOVETSKY

Segundo Lipovestck (1989), “não há sistema de moda senão na conjunção das duas lógicas: a do efêmero e a da fantasia estética”. O efêmero refere-se às tendências, pois não há moda se não vinda delas. E então vem a fantasia estética, um gosto peculiar, uma maneira diferente e inovadora de se vestir que vista por pessoas certas, acaba se tornando a tendência.

Segundo Lipovestck (1989), alguns elementos nunca caem em desuso e sempre são renovados. “São os adornos e as bugigangas, as cores, as fitas e as rendas, os detalhes de forma, as nuanças de amplidão e de comprimento que não cessaram de ser renovados.”

Cada vez mais aumenta a procura por um diferencial na vestimenta feminina. Sendo a bijuteria, o ponto forte da atualidade, ela tem a função de avivar uma peça “morta” tornando-se o ponto forte de uma apresentação visual, e assim acarretando uma grande agilidade nas inovações pela demanda do mercado.

"A moda muda, incessantemente, mas nem tudo nela muda. A modificações rápidas dizem respeito aos ornamentos e aos acessórios, às sutilezas dos enfeites e das amplitudes, enquanto a estrutura do vestuário e as formas gerais são muito mais estáveis." ( LIPOVESTCK, 1989 p. 31-32 )

Porém as inovações sempre são preferencialmente destinadas ao público de maior valor aquisitivo, no caso a classe A. “A alta sociedade foi tomada pela febre das novidades”. As novidades da moda sempre passam e se instalam nesta classe, e só após o início de um desuso pelos tais, a classe inferior adere-se a “novidade”, se tornando um privilégio tomando como base a descrição de Lipovestck (1989).

"A novidade tornou-se fonte de valor mundano, marca de excelência social; é preciso seguir “o que se faz de novo e adotar as últimas mudanças do momento: o presente se impôs como o eixo temporal que rege uma face superficial, mas prestigiosa da vida das elites." ( LIPOVESTCK, 1989 p. 33)

Um detalhe pode falar mais alto do que uma inovação, o saber vestir, saber combinar, pode ser levado mais em conta do que uma bela peça de roupa. “Certamente, não que a moda não conheça igualmente verdadeiras inovações, mas eles são muito mais raros do que a sucessão das pequenas modificações de detalhes.” (LIPOVESTCK, 1989 p. 32)

Assim surgem as variações da moda, as características de vestimenta de um indivíduo, o desejo da diferença, fazendo com que a moda se torne vasta em seu modo de pensar e demonstrar.

"Com a agitação própria da moda, surge ordem de fenômeno “autônoma”, correspondendo aos exclusivos jogos dos desejos, caprichos e vontades humanas”. A moda se torna um meio de identidade, fazendo com que se diferencie dos demais. “A moda se traduz a irrupção explícita e permanente da iniciativa individual em matéria de aparência". (LIPOVESTCK, 1989 p. 34)

Segundo o autor a moda não é só se vestir bem para que quem a usa goste, e sim para que os outros gostem. Lipovetscky (1989), “A moda tem relação direta com o prazer de ver, mas também com o prazer de ser visto, de se exibir-se ao olhar do outro”. Não basta se sentir bem, também há a necessidade de uma aprovação alheia.

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